Retrospectiva Star Trek: Além da Escuridão: Star Trek

No ano em que Star Trek celebra o 50º aniversário e com a chegada a Portugal em Agosto de Star Trek: Além do Universo, o terceiro capítulo após o renascimento da outra saga espacial pelas mãos de J.J. Abrams, faço uma retrospectiva pelas onze longas-metragens produzidas entre 1979 e 2013.

Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness), 2013, dir. J.J. Abrams

Quatro anos depois do balão de oxigénio que foi o reboot do Star Trek pelo J.J. Abrams, ou a blasfémia que desvirtua tudo aquilo em que Gene Rodenberry acreditava, dependendo do ponto de vista, surge Além da Escuridão: Star Trek, a sequela de nome desajeitado que continua as aventuras da nova/velha tripulação da Enterprise. A Abrams e equipa de argumentistas do filme de 2009, Roberto Orci e Alex Kurtzman, junta-se Damon Lindelof, um nome mal amado junto de alguns fãs de ficção científica, depois de ter sido um dos timoneiros do desfecho da série Perdidos (Lost) e de ter sido responsável pela reescrita do argumento original de Jon Spaiths que resultou em Prometheus, a prequela ambiciosa e esburacada de Ridley Scott para o seu clássico Alien - O Oitavo Passageiro. É difícil falar deste filme sem revelar segredos da trama por isso fica desde já o aviso de spoilers massivos no caso do leitor ainda não o ter visto.

O que Abrams conseguiu de forma extraordinária com Star Trek foi a criação de um universo paralelo que permitiria a uma nova geração de actores encarnar as personagens clássicas sem negar nem contradizer o cânone existente, tão precioso para os fãs mais aguerridos. A decisão, então, de revisitar o filme mais célebre da tripulação clássica, Star Trek II: A Ira de Khan, é no mínimo desconcertante. Depois de um jogo do gato e do rato durante a produção em relação à personagem de Benedict Cumberbatch, quando o filme estreia é revelado o segredo mais mal guardado da temporada. Cumberbatch é Khan numa nova história que, mais que referenciar subtilmente o filme original, decide recriar cenas e situações, invertendo por vezes os papéis, numa série de decisões narrativas que parecem condescender mais com o espectador do que o incluir numa comunhão de quem conhece o mitologia da série.

Quem viu Khan nunca verá este filme de forma isenta mas se se fizer o esforço será muito difícil a um fã do filme anterior não gostar deste. Este já não é o Star Trek que conhecíamos. As preocupações morais e políticas foram substituídas por uma aventura desmiolada mas excitante. Continua a ser um prazer acompanhar Kirk, mais carismático, Spock, mais conturbado, Uhura, mais confiante, e companhia a rasgar o cosmos em cenas de acção visualmente irrepreensíveis. É verdade que Cumberbatch come o cenário todo, o argumento não é tão focado como podia e a cena de destruição final é tratada de forma algo leviana, mas isto só atesta o poder da realização de J.J. Abrams. Apesar de tudo o que não funciona, a sensação final é a de um enorme prazer e um saldo positivo.

Warp 7/10

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