Batman v Super-Homem: Retrospectiva [2013 - 2016]

Batman v Super-Homem: Retrospectiva [2013 - 2016]

Na sequência da estreia de Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça termino a retrospectiva das sagas cinéfilas dos dois super-heróis, começando no Super-Homem de Christopher Reeve e passando pelas interpretações do Batman de Burton e Nolan.

[2013 - 2016] O efeito Marvel e o Universo Partilhado

Os quatro anos que separaram O Cavaleiro das Trevas de O Cavaleiro das Trevas Renasce viram a Marvel criar um universo partilhado cinematográfico, à imagem do que existe nas páginas aos quadradinhos, culminando com o sucesso de Os Vingadores, em 2012, o filme de Joss Whedon que reunia numa única história os super-heróis que havíamos acompanhado separadamente. A Warner Bros., detentora dos mais importantes títulos da DC Comics demorou a reagir e, aproveitando o embalo do Batman de Christopher Nolan coloca-o ao leme, com a ajuda do argumentista David S. Goyer, de uma nova interpretação do Super-Homem, desta vez como produtor executivo e entregando a batuta a Zack Snyder, fã confesso de banda desenhada que já tinha adaptado Watchmen: Os Guardiões, célebre novela gráfica de Alan Moore e Dave Gibbons. Em nítido contraste com a abordagem da Marvel Homem de Aço, de 2013, segue o trilho aberto por Nolan mostrando Super-Homem, interpretado por Henry Cavill, como um super-herói em conflito com a sua natureza num filme que confunde ser sério com ser sisudo e reinventa as personagens ao ponto de sofrer inúmeras críticas de fãs devido às suas opções. Exemplos disso são alguns dos diálogos de Clark Kent com o seu pai adoptivo Jonathan Kent, ou mesmo o desfecho do vilão Zod às mãos do Super-Homem. Apesar da visão original de Krypton e das suas facções e dilemas, e de uma Amy Adams convincente como uma Lois Lane para o século XXI, Snyder deita tudo por terra num massacrante terceiro acto com um festival de luta e destruição massiva que funciona como uma demonstração de efeitos-especiais sem qualquer impacto emocional nem moral.

Com a tomada de consciência do sucesso da Marvel a DC Comics anuncia como continuação para Homem de Aço um três-em-um: a sequela do filme de Zack Snyder; o reboot da saga do Batman; e, finalmente, o primeiro passo no sentido de um filme da Liga da Justiça. Com Snyder novamente na realização e angariando Ben Affleck como o novo Batman, para desespero de muitos internautas, é anunciado Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça, estreado esta semana entre nós. Vamos às coisas boas: é um filme épico e ambicioso. A excelente banda sonora de Hans Zimmer, desta vez em colaboração com Junkie XL, não deixa margens para dúvidas. É visualmente impressionante. Snyder sempre demonstrou ser um realizador com um sentido estético muito próprio usando montagens comoeficientes portmanteaus narrativos, como é o caso do genérico do filme onde revisitamos o evento que dá origem ao trauma de Bruce Wayne. Ben Affleck oferece uma sólida interpretação de um Cavaleiro das Trevas mais maduro e cínico, variante da visão de Frank Miller em The Dark Knight Returns, e Gal Godot é marcante no segredo mais mal guardado de sempre, muito por culpa dos próprios trailers promocionais que fazem questão de revelar muito mais do que deviam. Jesse Eisenberg interpreta um Lex Luthor que não vai encontrar meios-termos: ou se adora ou se odeia. Eu adorei o cenário que mastigou com abandono. Eisenberg parece habitar um filme diferente do restante elenco mas, ao contrário deste, parece ter-se divertido com a experiência. E aqui começam as minhas queixas: este universo é muito sisudo. Se nos podemos maravilhar com a estética do filme, é pouco provável que nos possamos divertir com ele e, definitivamente, não devemos parar para pensar nele. Depois de uma excitante cena de abertura que parece endereçar as críticas à destruição massiva do filme anterior, enquadrando Bruce Wayne no universo daquele através de uma ligeira continuidade retroactiva, somos enredados numa trama confusa, preocupada em semear elementos para filmes futuros e que, sem espantar ninguém, culmina num confronto de interesse pré-adolescente que volta a cair no erro anterior, ampliando-o, inclusivé, na escala de destruição e aborrecimento. Pelo menos, desta vez, é referido em inúmeros momentos que não há qualquer vitima resultante dos confrontos. Há muito para apreciar em Batman v Super-Homem mas Snyder não consegue deixar de ser Snyder e o potencial acaba esbanjado por quem tem mais olhos que barriga.

Independentemente da recepção crítica a Batman v Super-Homem o público continua a correr para ver filmes de super-heróis nas salas de cinema e estes, bem como os seus universos partilhados, estão aqui para durar. Resta saber se conseguirão manter o interesse do público em geral ou se acabarão novamente a ser consumidos apenas por um nicho de fãs mais ferrenhos da banda desenhada.

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