Retrospectiva Star Trek: Star Trek IV: Regresso à Terra

No ano em que Star Trek celebra o 50º aniversário e com a chegada a Portugal em Agosto de Star Trek: Além do Universo, o terceiro capítulo após o renascimento da outra saga espacial pelas mãos de J.J. Abrams, faço uma retrospectiva pelas onze longas-metragens produzidas entre 1979 e 2013.

Star Trek IV: Regresso à Terra (Star Trek IV: The Voyage Home), 1986, dir. Leonard Nimoy

Há na comunidade de trekkies a convicção de que os filmes “pares” são normalmente melhores que os filmes ímpares. Apesar desta convicção foi com bastante cautela que abordei Star Trek IV: Regresso à Terra, realizado novamente por Leonard Nimoy em 1986. Apesar de nunca o ter visto anteriormente sempre conheci este capítulo como “o das baleias” ou o “da viagem no tempo”. 

Começando com uma curiosidade, este é o filme do Star Trek onde a unida tripulação da destruída Enterprise se aventura aos comandos de uma “Ave de Rapina” Klingon - a mesma com que terminava o terceiro capítulo. Apesar da quantidade de nomes creditados na escrita do argumento no genérico inicial a premissa que impele a acção parece mal cozinhada e, mesmo implicando o fim da humanidade tal como a conhecemos, não sentimos de forma concreta a urgência ou o perigo iminente. Esta é mesmo apenas uma desculpa para catapultar a tripulação para o passado(!) no sentido de recuperar um par de baleias como única hipótese de salvação da humanidade(!). 

Sei que este é um filme bastante apreciado pelos fãs mas escapam-me as razões para tal. Se não me incomodam as óbvias mensagens ambientais, não consigo ultrapassar o facto de que, não só o humor do confronto das mentes evolvidas com a realidade do presente de 1986 não funciona, como esta abordagem data terrivelmente este capítulo de uma saga que se demarcou por ser visionária, futurista e intemporal. Acredito que este será, dos filmes Star Trek, aquele que mais sairá prejudicado sem o factor nostalgia de quem o viu na idade certa no momento de estreia. Com o devido distanciamento temporal ficamos apenas com um filme anacrónico que não é especialmente emocionante, cómico ou interessante.

O universo cinematográfico Star Trek, apesar do arranque menos popular, ofereceu reflexões sobre idade, consciência, propósito e relevância, prosseguindo em Khan a exploração da consequência das nossas acções e a presunção do homem no papel de Deus. Chegando ao capítulo IV onde estão os grandes temas que fizeram desta série um sucesso junto dos fãs exigentes?

Warp 5/10

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