Batman v Super-Homem: Retrospectiva [1978 - 1987]

Em antecipação à estreia de Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça vou fazer uma retrospectiva das sagas cinéfilas dos dois super-heróis, começando no Super-Homem de Christopher Reeve e passando pelas interpretações do Batman de Burton e Nolan.

[1978 - 1987] O voo e a queda do filho de Krypton

Em 1978 o mundo era um sítio muito diferente. Filmes sobre super-heróis não eram habituais e muito menos uma aposta ganha. Ilya e Alexander Salkind contratam então Richard Donner para um empreendimento raramente visto. Adaptar o herói da BD Super-Homem ao grande ecrã, não com um filme, mas com dois filmes a serem filmados de uma só vez. Super-Homem, lançado em Dezembro de 1978 foi um triunfo. Com mais uma banda sonora de antologia de John Williams, o veterano Marlon Brando como chamariz e Gene Hackman em ascensão meteórica, foi Christopher Reeve que brilhou no papel duplo de Clark Kent / Super-Homem fazendo-nos acreditar, com a ajuda dos efeitos especiais estado da arte à data, que um "homem" podia voar.

Aproveitando a paragem nas filmagens de Superman II para a concentração de esforços na finalização do primeiro filme, os Salkind despedem Richard Donner, com quem tinham problemas, com cerca de 25% das filmagens por completar. Contratam então Richard Lester, veterano realizador britânico, que refaz grande parte da visão original de Donner. Além da substituição de Marlon Brando por Susannah York, em retaliação a um processo movido por aquele contra os produtores referente a lucros do primeiro filme, da filmagem de algumas cenas de Gene Hackman com um duplo, pois este não voltou em solidariedade com Donner, e da óbvia diferença na aparência física de Reeve nas filmagens de Lester, o tom mais leve e cómico imposto por este tornaram o resultado final, estreado em 1980, algo desconexo, apesar do imenso sucesso do filme junto do público.

O sucesso de Superman II levou a que Richard Lester fosse convidado para realizar o terceiro capítulo da saga. Superman III, de 1983,  é o princípio do fim para o reinado de Christopher Reeve com a capa do herói de Krypton. A inflexão cómica do filme anterior torna-se agora explícita, incluindo a contratação do cómico Richard Pryor para um dos principais papéis. Sem vilões memoráveis e com um argumento nitidamente inferior Superman III foi um fracasso crítico e, apesar de recuperar o investimento, um fiasco comercial, levando os Salkind a venderem os direitos cinematográficos do super-herói à Cannon Films de Menahem Golan e Yoram Globus.

O prego no caixão do franchise foi então Superman IV: Em Busca da Paz, realizado por Sidney J. Furie e estreado em 1987. Apesar do regresso de Gene Hackman na pele de Lex Luthor, ausente do capítulo anterior, o resultado final é uma trapalhada. Começando na mensagem ecologista, insistência de Chistopher Reeve, passando por um vilão de terceira categoria e acabando na falta de dinheiro que obrigou, inclusivamente, ao reaproveitamento de cenas dos filmes anteriores esta é uma despedida sem brilho para uma saga que voou bem alto no primeiro capítulo, mas que desde então entrou numa irremediável queda livre.