O Senhor dos Anéis de Tolkien

O Senhor dos Anéis de Tolkien

Nesta edição de Universos Paralelos, um programa da autoria de António Araújo (Segundo Take), José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e Tomás Agostinho (Imaginauta), que podem encontrar em http://www.segundotake.com/podcast/2019/4/21/episodio181, podem ouvir uma conversa, que contou com a colaboração do convidado especial Miguel Troncão, dedicada à fantasia épica de J. R. R. Tolkien, O Senhor dos Anéis, gravada ao vivo no âmbito da 2ª Edição do Contacto, o Festival Literário de Ficção Científica e Fantasia organizado pela editora Imaginauta.

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Em 1999, a Amazon pediu aos seus clientes que votassem no livro mais importante do milénio. Sem qualquer rigor científico, e com toda a subjectividade de uma votação deste género, o vencedor foi O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. Uma coisa é certa, mesmo que nem todos tenham lido esta colossal obra de ficção de fantasia (e muitos menos ainda antes dos 16, como sugeria Rui Reininho numa popular canção dos GNR), a verdade é que quase toda a gente que já entrou numa livraria e comprou mais que um livro conhece este título.

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Editado originalmente em 1954, O Senhor dos Anéis (que os editores decidiram partir em três volumes por razões óbvias) era o fruto de trabalho de um académico inglês, versado em filologia e línguas antigas, apaixonado por mitologias e línguas já desaparecidas, e professor de anglo-saxónico em Oxford. Ele era John Ronald Reuel Tolkien, nascido em 1892, com uma educação fortemente católica, e que, após testemunhar na pele o flagelo da Primeira Guerra Mundial, se decidiu por um escapismo que era, em simultâneo, um elogio de tempos idílicos, de valores heróicos, de comunhão com a natureza, poesia, fantasia e muita imaginação.

Na génese da sua construção estava uma ideia simples. Como estudioso de latim, inglês antigo e escandinavo antigo, Tolkien queria dar vida a um corpo linguístico por si criado. Para tal precisava de histórias que vivessem dessas línguas, isto é, mitologias, escritas como quem escreveu a Ilíada, a Edda, Beowulf, ou os mitos arturianos. Começava assim, logo em 1917, o desenvolvimento de um conjunto enorme de textos de cariz mitológico que o autor não parou de desenvolver e reformular até à sua morte, e a que sempre quis dar o nome de Silmarillion.

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Mas, por acidente, em 1937, Tolkien escreveu e publicou um livro para crianças que falava de hobbits – umas criaturas pequeninas, que satirizavam com simpatia o inglês típico, com todas as suas idiossincrasias e simplicidades –, e que colocou no mundo por si criado. O sucesso de O Hobbit levou à exigência de uma sequela, algo que Tolkien não queria fazer. Como solução de compromisso entre as histórias de hobbits, e a sua amada mitologia, surgiu O Senhor dos Anéis, o romance épico duma imortal luta entre bem e o mal, repleto de poesia, aventura épica, ambiguidades de carácter e reflexões de comportamento humano que são a entrada num imenso mundo mágico. A riqueza de detalhe e lirismo – suportado por infindáveis apêndices históricos – fez desse mundo um fenómeno que os fãs ainda hoje estudam, como se acreditassem que a Terra Média de que os livros falam existisse realmente, tal o manancial de informação que dela dispomos.

Apesar da sua dimensão e hermetismo, O Senhor dos Anéis tornou-se um caso sério de popularidade nas décadas seguintes e, quando se pensava que nada mais podia elevar a obra de Tolkien, eis que, pelas mãos da New Line Cinema e de Peter Jackson, surgiu em 2001 – depois de algumas tentativas algo falhadas de Ralph Bakshi (1978) e Rankin/Bass (1982) – uma trilogia de filmes que seriam elogiados por público e crítica, fazendo das personagens e conceitos de Tolkien verdadeiros ícones da cultura popular.

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Deixando o precedente de construir mundos com mapas, histórias, diferentes raças e línguas, num misto de fantasia e realidade, Tolkien tornou-se, decididamente, o mais importante autor de fantasia da literatura moderna, aquele com que todos aprendem e com que todos se comparam, continuando hoje como figura incontornável, modelo para autores contemporâneos e inspiração para milhões de leitores que procuram um pouco de escapismo ou alguém que lhes compreenda e estimule a necessidade de acreditar em outros mundos.

José Carlos Maltez, Abril 2019.



Fontes primárias

Literatura principal

  • Tolkien, J. R. R. (1954) The Lord of the Rings - The Fellowship of the Ring. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América];

  • Tolkien, J. R. R. (1954) The Lord of the Rings - The Two Towers. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América];

  • Tolkien, J. R. R. (1955) The Lord of the Rings: The Return of the King. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América].

Literatura aconselhada

  • Tolkien, J. R. R., (1937) The Hobbit. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América];

  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (1977) The Silmarillion. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América];

  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (1980) Unfinished Tales. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América];

  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (1983-1996) The History of Middle-Earth (12 volumes). London: Allen & Unwin;

  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (2007) The Children of Húrin. London: HarperCollins. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América];

  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (2017) Beren and Lúthien. London: HarperCollins. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América];

  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (2018) The Fall of Gondolin. London: HarperCollins. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América].

Cinema

  • O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings, Ralph Bakshi, 1978);

  • O Retorno do Rei (The Return of the King, Jules Bass, Arthur Rankin Jr., 1980);

  • O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, Peter Jackson, 2001);

  • O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers, Peter Jackson, 2002);

  • O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King, Peter Jackson, 2003).

Outros filmes

  • O Hobbit (The Hobbit, Jules Bass, Arthur Rankin Jr., 1977);

  • O Hobbit: Uma Viagem Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey, Peter Jackson, 2012);

  • O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, Peter Jackson, 2013);

  • O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies, Peter Jackson, 2014).

Videojogos (selecção)

  • The Hobbit (1982), Melbourne House;

  • Lord of the Rings: Game One (1985), Melbourne House;

  • The Lord Of The Rings, Volumes 1 & 2 (1990 e 1992), Interplay;

  • The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (2002), Vivendi Universal Games;

  • The Lord of the Rings: The Two Towers (2002), Electronic Arts;

  • The Lord of the Rings: The Return of the King (2003), Electronic Arts;

  • The Lord of the Rings: The Battle for Middle-earth II (2006), Electronic Arts;

  • The Lord of the Rings Online (2007), Turbine, Inc.;

  • Lego The Lord of the Rings (2012), Warner Bros. Interactive Entertainment.

Fontes secundárias

Literatura

  • Carpenter H. (1977) J. R. R. Tolkien. A Biography. London: Allen & Unwin;

  • Carpenter H., Tolkien, C. [eds] (1981) The Letters of J. R. R. Tolkien. Nova Iorque, NY: St. Martin's Paperbacks.

Websites

  • The Tolkien Society: https://www.tolkiensociety.org/;

  • The Encyclopedia of Arda: http://www.glyphweb.com/arda/;

  • The One Wiki to Rule Them All: https://lotr.fandom.com/wiki/;

  • Tolkien Gateway: http://www.tolkiengateway.net/wiki/;

  • Tolkien Boardgames: https://www.freewebs.com/tolkienboardgamecollecting/.

Outras referências

Literatura

  • A Bíblia (1500 a.C. – 90 d.C.);

  • A Ilíada (Homero, séc. VIII a.C.);

  • Beowulf (séc. VIII);

  • Edda em prosa (Snorri Sturluson, c. 1220);

  • A Morte de Artur (Thomas Mallory. Séc. XV);

  • Kalevala (Elias Lönnrot, 1849).

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