Episódio #0 - Lifeforce, As Forças do Universo

Este primeiro episódio foi gravado originalmente para o podcast Fãs Danados. É editado aqui como piloto para este novo projecto.

Bem vindos ao Segundo Take, o podcast onde pretendo analisar filme que alimentaram o meu imaginário quando era miúdo. O foco será dado a filmes de ficção, fantasia e terror mas haverá espaço para todos os géneros. Este pretende ser um programa de duração digerível e o que aqui pretendo trazer parte de uma paixão enraizada numa nostalgia de puro geekness, e pretende encontrar desse lado almas gémeas que, por altura do VHS viviam intensamente não só os filmes que viam, como também o imaginário invocado pelas capas e contracapas de filmes que prometiam maravilhas para lá da nossa mais delirante imaginação. Espero que gostem de descobrir ou redescobrir comigo algumas destas pérolas.

O meu nome é António Araújo e neste primeiro episódio vou analisar Lifeforce, As Forças do Universo em Portugal, um filme de 1985. Este é um daqueles títulos dos quais me lembro vagamente de ter visto o trailer por alturas da sua exibição no cinema. E, à partida, o filme promete: ficção científica de terror realizado por Tobe Hooper - realizador de O Massacre no Texas e Poltergeist, O Fenómeno - e co-escrito por Dan O’Bannon - um dos criadores de Alien, O 8º Passageiro. Tem como director de fotografia Alan Hume - veterano de filmes do James Bond e do capítulo VI do Star Wars: O Regresso de Jedi. Como se não bastasse, tem como compositor Henry Mancini - o criador da famosa música da Pantera Cor-de-Rosa.

Além destes impressionantes créditos tem como protagonista principal Steve Railsback que me lembro de ver pela primeira vez como Duane Barry, um personagem marcante num episódio duplo da segunda temporada dos Ficheiros Secretos, e do qual vi recentemente Helter Skelter, um telefilme de 1976 onde interpreta com intensidade o assassino messiânico Charles Manson.

A sinopse do IMDB resume economicamente a história do filme - “uma raça de vampiros do espaço chega a Londres e infecta a população” - mas não faz justiça à intrincada teia de acontecimentos que constituem a narrativa desta obra onde podemos testemunhar:

- uma missão espacial ao cometa Haley;

- uma raça de morcegos espaciais;

- nudez;

- muita nudez - especialmente da atriz francesa Mathilda May;

- efeitos especiais datados que sugam (trocadilho intencional) qualquer elemento de tensão ou de medo;

Patrick Stewart, sim, o respeitável Professor X e admirável Capitão Picard, possuído por forças invisíveis deitado numa maca a tentar forçar um beijo mortal ao personagem principal.

Nenhum dos pontos anteriores seria por si só um problema com uma direcção que reconhecesse o factor camp e abraçasse o humor da coisa. Ao contrário do argumento - ambicioso e incoerente - e das interpretações - maiores que a vida - a realização de Tobe Hooper leva o material demasiado a sério e manda-se de cabeça na construção de um épico sisudo onde não faltam flashbacks de exposição narrativa, reviravoltas fabricadas para espantar mas que vemos à distância, vampiros do espaço, possessão mental, instituições psiquiátricas de contornos góticos, outbreak vampírico alienígena, Londres em estado de sítio e, por fim, a iminência do apocalipse. Só falta mesmo o proverbial lavatório de cozinha.

Menahem Golam e Yoram Globus, responsáveis pela Cannon Films e nomes bem conhecidos dos consumidores de cassetes VHS nos anos 80, bem se esforçaram para fazer de As Forças do Universo um blockbuster mas o DNA sensacionalista de quem estava habituado a produzir filmes de exploitation para o mercado caseiro veio ao de cima e o resultado é um filme que tem de ser visto para se acreditar.

Se gostam dos vossos filmes de vampiros espaciais que trazem a destruição para a Terra confusos, sérios, cheios de efeitos especiais datados, mal interpretados e com muita nudez gratuita este filme é para vós. Se não, ainda assim, há uma honestidade na tentativa que faz com que a experiência seja algo reconfortante. Ou então é a nostalgia a falar mais alto. Na verdade, faz de conta que nunca o vi. Prefiro ficar com a recordação do filme que a minha imaginação me sugeria.

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