A herança de O Exorcista

Em 1973 William Friedkin lançou o pânico nas salas de cinema de todo o mundo. A exibição de O Exorcista afectou de tal forma quem o viu que houve relatórios de chamadas de paramédicos a salas de cinema para assistir pessoas por desmaio e ataques de histeria. O seu estilo directo, seco e quase documental sublimou o medo visceral da encarnação do mal que possuía uma inocente adolescente. William Petter Blatty, adaptando o seu próprio romance homónimo, colaborou estreitamente com Friedkin naquele que se tornou o filme mais rentável da Warner Bros até aos dias de hoje, ajustando a inflação.


Em 1977 foi produzida uma das mais mal amadas sequelas de todos os tempos: O Exorcista II: O Herege. Sem o envolvimento de Blatty ou Friedkin, e com o regresso de Linda Blair no papel de Reagan, é realizado por John Boorman, que tinha originalmente recusado a oportunidade de realizar o filme original. É considerado, não só uma das piores sequelas de todos os tempos, mas mesmo um dos piores filmes de todos os tempos e hoje em dia é encarado apenas como uma curiosidade, ignorado no cânone desta curiosa saga cinematográfica.


Foi preciso esperar 13 anos para, em 1990, ser produzida mais uma sequela, O Exorcista III. Desta vez o autor do livro original, William Peter Blatty, assina o argumento e a realização, ignorando os acontecimentos do filme anterior e baseando-se no seu romance Legion, sequela temática de O Exorcista com quem partilha algumas personagens. Apesar destas intromissões do estúdio este continua a ser um eficiente thriller psicológico, baseado no assassino em série Zodiac, e oferecendo uma reflexão sobre a natureza do mal que, não sendo tão vistosa como a pirotecnia do filme de Friedkin, é no entanto tão perturbante nas suas implicações sobre a nossa relação com o lado mais obscuro da nossa natureza humana.


Para o texto integral não percam o próximo episódio do podcast, segunda-feira, 14 de março, em www.segundotake.com/podcast onde poderão conhecer também a novela da prequela de 2004 que acabou por se transformar em dois filmes alternativos: Exorcista - O Princípio e Dominion: A sequela de o Exorcista.