Star Wars: As prequelas

No mês em que estreia o sétimo capítulo da saga Star Wars vou deixar aqui uma retrospectiva sobre a minha relação de 32 anos com esta saga. Hoje escrevo sobre as prequelas e ofereço a minha opinião sobre as razões para a sua fama actual.

Sobre as prequelas muito já foi dito, justa e injustamente. É fascinante como a expectativa de adorar algo pode ser de tal forma poderosa convertendo-se no seu oposto. Ninguém que fala mal das prequelas não queria adorar aqueles filmes. As razões serão as mais variadas e eu vou tentar avançar com as minhas: o maior problema das prequelas está nas promessas que se encontram encerradas na própria trilogia original do que elas seriam. O mistério do que ficou por contar. As lendas, os mitos e os pontos de vista que ficaram por esclarecer. De certa forma, sem que disso tenha qualquer culpa, George Lucas falhou na missão de construir a história que correspondesse às milhões de expectativas diferentes, tantas quantos os fãs que sonharam com o Star Wars desde miúdos.

Isso já acontecera na trilogia original. A diferença é que não havia expectativas para gorar. Uma narrativa constrói-se, em fuga, para a frente. Assim, é irrelevante que Darth Vader não fosse pai de Luke na concepção original do Star Wars, nem que Leia não fosse sua irmã. Estas revelações funcionam pois têm a sua origem na mitologia do passado obscuro, contadas oralmente sob um certo ponto de vista. Além disso não desfazem nenhuma construção basilar da narrativa como um todo, tornando-a, aliás, numa saga tão pessoal como universal.

E já que falo do pessoal, o que não funcionou desde o início, para mim, foram as inconsistências entre a trilogia original e a mitificação do passado que tinha construído na minha cabeça. Concretamente a origem de Anakin Skywalker, o seu caracter, as suas relações pessoais e a sua queda para o lado negro da Força. A amargura do tio de Luke, Owen, revelava o peso da perda de um irmão pela sua impetuosidade e ambição. Por ser aventureiro e destemido. Por ter perseguido o seu sonho, em oposição à natureza de Owen mais conformista e trabalhadora. O que acontece nas prequelas? Owen é meio-irmão que se cruza com Anakin uma vez na sua vida. 

 
 

Depois existem uma série de inconsistências com Obi-Wan. Este revela a Luke que o seu pai lhe deixou o sabre de luz. Mentira. Depois revela-lhe que não usava o nome Obi-Wan desde muito antes de Luke ter nascido. Mentira. Refere que Yoda foi seu mestre. Mentira, foi Qui-Gon. Se a isto acrescentarmos os acontecimentos da trilogia original, onde Obi-Wan tinha revelado que Darth Vader tinha morto o pai de Luke, das três uma: ou é muito mentiroso, ou muito esquecido, ou Lucas reinventou o passado sugerido pelos filmes originais.

Compreendo que tudo isto pareça insignificante, como por exemplo Leia revelar n’O Regresso de Jedi, que se lembra da sua mãe que morreu no parto, mas não o é para mim. O mundo de possibilidades do MEU Star Wars era infinitamente mais rico. É possível que George Lucas tenha feito exactamente o que queria fazer, e quem o pode censurar?

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