Retrospectiva M:I - Missão Impossível 3

J.J. Abrams, ainda sem sonhar com galáxias distantes, estreia-se na realização de longas-metragens com o terceiro capítulo da série.

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Como era diferente o mundo em 2006. J.J. Abrams ainda só era conhecido pelo seu trabalho na televisão, Philip Seymour Hoffman parecia imortal e uma companhia duradoura no grande-ecrã e Missão Impossível ainda não era um valor seguro, 10 anos após a sua estreia. Missão Impossível III não foi um grande sucesso de bilheteira, pelo menos à escala dos custos do mesmo, mas penso que cimentou a série como um valor seguro no que respeita a franchises de acção e espionagem, isto no ano em que James Bond tinha um ressurgimento espectacular com Casino Royale.

Depois de uma longa gestação ao comando de Joe Carnahan, este abandonou o projecto (felizmente, digo eu) por diferenças criativas. Isto abriu a porta à estreia nas longas-metragens de J.J. Abrams que demonstra um à vontade invejável nas gigantescas e empolgantes cenas de acção. O espírito da série original regressa também através da constituição duma equipa multifacetada para a execução das arriscadas missões, da qual a sequência do Vaticano é um óptimo exemplo. A narrativa é económica e assenta num macguffin refrescante, sendo que o ênfase é colocado na carga emocional da ameaça à vida pessoal de Ethan Hunt que continua a sua mutação de filme para filme sem que isso, curiosamente, funcione em detrimento da série. Uma coisa é constante: o star power de Tom Cruise é inegável. Mas a cereja em cima do bolo é uma prestação deliciosa de Philip Seymour Hoffman como o vilão de serviço. O camaleónico actor oferece-nos uma personagem viscosa e odiosa com uma naturalidade ao alcance de poucos.

Não via o filme praticamente desde a sua estreia mas agora confirmei agora o que suspeitava: sou um fã de Missão Impossível III. Apesar de alguma tendência megalomaníaca gosto do estilo de acção desempoeirado de J.J. Abrams que viria a trazer frutos no reboot do Star Trek e no nostálgico Super 8 e do qual esperamos grandes coisas para a saga espacial que se segue.

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Salve, César!