Steven Soderbergh, o experimentador

Este é um texto editado e revisto do original escrito a 15/07/2015 para o episódio 112 do podcast Fãs Danados.

Depois da Palma de Ouro em Cannes em 1989 com a sua primeira obra, Sexo, Mentiras e Vídeo, Steven Soderbergh passou quase uma década a fazer aquilo que nunca deixaria de fazer: a experimentar com a linguagem cinematográfica. A diferença deste período em comparação com os anos subsequentes? O reconhecimento, ou a falta dele. Filmes como Kafka, O Rei do Bairro, Crime sem Recompensa, A Anatomia de Gray ou Schizopolis são reconhecidos por poucas pessoas e foram vistos por ainda menos.

O que mudou entre 1998 e 2001? Duas colaborações com George Clooney - Romance Perigoso - Out of Sight e Ocean’s Eleven - e duas nomeações para o Oscar de Melhor Realizador no mesmo ano - Traffic - Ninguém Sai Ileso e Erin Brockovich.

Ensanduichado entre estes títulos surge O Falcão Inglês, na minha opinião uma das mais conseguidas fusões entre o experimentalismo e uma narrativa mais convencional com uma interpretação central de Terence Stamp a ancorar o interesse do espectador e a determinar o sucesso ou insucesso deste filme.

 
 

Sendo Soderbergh, a meu ver, a par de Richard Linklater, um dos mais interessantes e produtivos cineastas norte-americanos verdadeiramente independentes, será O Falcão Inglês realmente um cromo perdido ou um dos seus indiscutíveis clássicos?